


O SALIENTE CAZOMBO
Distribuição das Forças Militares e Militarizadas
O nosso Batalhão, o 4212/73 tinha a sua Companhia de Comando instalada no Cazombo, pequena vila situada na margem esquerda do Rio Zambeze, mesmo no coração do dito saliente. O saliente é aquele quadradinho que os antigos exploradores portugueses ali deixaram saliente no mapa de Angola. Ainda hoje me questiono o que terá levado os ditos a traçar fronteiras com aquela simetria!? Seria mais fácil traçar a fronteira seguindo o Rio Zambeze, que assim daria uma fronteira natural mas, algo fez com que o quadradinho lá ficasse…
Mas, não estou aqui hoje para desvendar esse mistério… Estou sim para falar da nossa tropa e por onde ela se encontrava acantonada.
Assim, como já dissemos a C.C.S. estava no Cazombo. A nossa companhia a 1ª estava na Lumbala Nova, como também já referimos. A 2ª Companhia encontrava-se na Calunda e tinha dois destacamentos: no Lóvua e no Macondo. A 3ª por sua vez ficou instalada no Cavungo (onde a rainha dos Luenas – Nana Candundo – tinha a residência ) e tinha também dois destacamentos; um no Massibi e outro no Jimbe.
Depois haviam outras companhias não pertencentes ao nosso Batalhão mas que designadas pela Região Militar Leste, com sede no Luso, ocupavam lugares estrategicamente importantes nesta área de grande infiltração por parte do M.P.L.A..
Assim, na Caianda encontrava-se uma CART (Companhia de Artilharia), que igualmente tinha um destacamento no Jimbe. No Chilombo, a menos de 20 quilómetros da Lumbala, uma companhia de Fuzileiros, que semanalmente nos visitava para ir receber o correio que chegava ao nosso “aeroporto” no Nord Atlas…
Do outro lado do Zambeze, na Lumbala Velha, a companhia independente C.Caç. 4149, que mais tarde esteve no Chilombo, aquando da retirada dos Fuzileiros para Luanda (após o 25 de Abril ).
Na sede do Batalhão, no Cazombo, havia ainda um Pelotão de Morteiros, que tinha as suas secções destacadas em diversos destacamentos, reforçando assim as Companhias, e um P.A.D., Pelotão de Apoio Directo, para intervir na área logística de viaturas: reparação e reboque.
Havia ainda as unidades militarizadas compostas pelos G.E.’s, directamente sobre o comando do Exército Português e os FLECHAS (ex-combatentes dos chamados movimentos de libertação) sob comando da D.G.S.(ex-PIDE).
Grupos de G.E.’s estavam distribuídos pelos seguintes aquartelamentos: Cazombo, Lumbala, Calunda (Lóvua e Macondo) e Cavungo. Os Flechas na Lumbala Nova e no Jimbe.
Depois havia que contar com os FIÉIS (tropas refugiadas do antigo Katanga – Congo Belga (Zaire), do tempo do Tchombé) e os LEAIS (refugiados da Zâmbia), ambos apoiados pelo Exército Português, auxiliando na execução de patrulhas e operações. Os Katangas estavam instalados na Gafaria (perto do Cazombo), os quais conhecíamos bem, pois passavam com frequência na Lumbala (o Serafim que o diga…punha mercúriocromo ou soluto de iozina no álcool puro a ver se eles não o bebiam, pois eram grandes clientes da enfermaria…), os segundos encontravam-se acantonados na Calunda e deles nem o rasto lhe vimos…
É possível que alguma falha exista nesta breve resenha e para isso conto com as achegas e comentários dos meus ex-camaradas…

